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Incentivo à leitura nas escolas: qual o papel da gestão?

Incentivo à leitura nas escolas: qual o papel da gestão?

30 maio 2022
3 min
Post modificado em:
30 maio 2022

No texto de hoje vamos compartilhar estratégias para que o incentivo à leitura nas escolas seja uma ação conectada e trabalhada durante todo o ano letivo.

A ideia aqui é destacar diversas oportunidades e possibilidades para que você, gestor, entenda a importância da leitura e do seu papel e, assim, torne a leitura uma prática expressiva e acolhedora na sua escola.

A leitura como prática diária

A leitura é uma experiência que pode ser caracterizada como a decodificação de signos linguísticos aliada à compreensão dos contextos e desenvolvimento da visão crítica. Essas habilidades só se somam ao estudante se esse for continuamente estimulado

A Base Nacional Comum Curricular compreende o eixo leitura como algo que supere a simples conexão de consoantes e vogais. Já que ler é ir muito além das palavras e informações explícitas.

Ler é interpretar o texto, o contexto, o discurso e até o intertexto. Por essa razão, o desenvolvimento dessa habilidade complexa exige o comprometimento de toda a comunidade escolar.  

Assim, tendo em mente que a leitura comporta várias dimensões (a cognitiva, a social e a linguística) é fundamental que a escola trabalhe essa multiplicidade. De modo a adotar diversas estratégias para que o desenvolvimento da habilidade leitora dos estudantes não seja uma ação isolada, mas que envolva os vários atores da escola.

Considerando esse desafio, destacamos abaixo formas de como o gestor escolar pode intervir para tornar o desenvolvimento da habilidade uma prática mais acessível e permanente aos estudantes. Vamos aos destaques!

A leitura está em tudo!

A leitura está nos outdoors de propaganda espalhados pelas ruas, na bula dos remédios, na receita do almoço, nas redes sociais, no jornal diário e nas notícias publicadas sobre política e economia.

Esse fato te faz lembrar alguém? Ele mesmo, Paulo Freire! Um trecho de uma das suas falas mais marcantes,“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, incita a reflexão de que muito antes de compreendermos a decodificação de signos, o mundo à nossa volta se impõe a nós.

Isso significa que o mundo e as palavras estão interconectados! Ou melhor, essas duas dimensões se retroalimentam. E como a escola pode ser o primeiro e talvez único espaço em que o estudante é incentivado a ler, ela assume um papel imprescindível: dar condições para que essa interconexão aconteça de uma forma plena, consciente e crítica.

Por isso, gestor, o incentivo à leitura nas escolas é fundamental. Desde a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, a prática da leitura e o interesse pela leitura devem ser plantados em cada aluno.

O incentivo à leitura nas escolas deve acontecer o ano todo

O gosto pela leitura se aprende! Isso não é feito de forma instantânea e, muito menos, pontual. A construção desse interesse, como o próprio nome sugere, é feita passo a passo. Com afeto, cuidado e persistência. Devendo, na escola, ser proporcionada em diversas atividades durante o ano todo e combinadas com atividades lúdicas.

O papel do gestor é incentivar que a leitura não seja uma ação pontual, como ler para fazer exercícios e avaliações. Embora sejam ações importantíssimas do cotidiano escolar, desvincular a leitura das atividades obrigatórias pode transformar o modo como os estudantes a enxergam.

Por isso, insista em ampliar as possibilidades de práticas que envolvam a leitura em ações diversificadas! Veja abaixo algumas dicas que podem ser adotadas na sua escola.

Conversa com autores

Já pensou em levar um escritor para conversar com os seus estudantes? A ação pode exigir muito planejamento da escola e a criação de parcerias, mas já imaginou como pode ser mágico?

Conhecer o escritor ou escritora de um livro vai transformar a experiência dos seus alunos. Uma vez que personificar e dar cores ao autor, que muitas vezes ocupa um lugar meio distante na mente do leitor, tende a humanizar o processo de escrita e de imaginação, mostrando para os estudantes que ler, escrever e criar são coisas muito possíveis e incríveis!

Projetos de leitura

O projeto de leitura é uma metodologia ativa de ensino que provoca a capacidade de análise e de intervenção. O formato tem o potencial de desenvolver de modo mais completo diversas competências dos discentes, já que pode combinar diferentes atividades e metodologias.

Dica extra: a temática do projeto pode partir de um diálogo com os alunos ou de uma problemática que atravesse a realidade da escola.

Saraus

Os saraus são eventos que combinam música, poesia, leitura, dança e outras manifestações artísticas. Comumente as escolas exploram esse formato no segmento infantil, mas nossa ideia aqui é ampliar para outros momentos da trajetória formativa do estudante.

Combinar a leitura com outros gêneros artísticos tende a proporcionar aos estudantes uma outra maneira de construir interconexão entre o mundo e a escola, além de ampliar sua sensibilidade artística.

À medida em que incentiva eventos desse tipo, a gestão cria oportunidades para que várias competências da BNCC sejam mobilizadas.

Como a competência geral 3, que aponta a importância da ampliação de repertório cultural e  incentiva valorização às diversas manifestações culturais e artísticas, a fim de reconhecer a pluralidade de saberes e assim estimular o estudante ao processo criativo.

Concursos de leitura

Gestor, conhece os concursos de leitura? Você sabia que são oportunidades muito completas no desenvolvimento de habilidades leitoras dos seus estudantes? Vem, vamos te contar melhor!

Os concursos de leitura possuem diversos formatos. Mas geralmente são elaborados como projetos que buscam incentivar a habilidade leitora por meio de uma competição saudável entre os estudantes.

Além de oportunizar formação humana e social, possibilitam que o estudante seja desafiado a trabalhar sua criatividade e imaginação. Isto é, suscitando um aprendizado multifacetado.

Uma conversa franca!

Você já teve uma conversa franca com seus alunos sobre o cenário da leitura no Brasil? Tendemos a diminuir sua capacidade de compreensão, achando que eles são jovens demais para entender as coisas. O que torna comum repetirmos o tempo inteiro que eles precisam ler mais. Mas será que o motivo é claro? Então, chegou a hora de fazer diferente!

Conversar e mostrar aos estudantes as várias pesquisas sobre leitura, assim como demonstrar o cenário brasileiro no contexto do analfabetismo, pode ser um caminho assertivo no incentivo à leitura nas escolas! Para o IBGE, há 11 milhões de pessoas acima de 15 anos sem saber ler e escrever. Você e seus estudantes sabiam disso?

Ah! E no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), entre 79 países, também não vamos bem, já que ficamos no 57° lugar em leitura. Trazer uma discussão em torno desses dados pode, além de mostrar a realidade nacional, inspirá-los a mudar esse cenário.

Claro que nenhum desses dados é isolado da questão social. É preciso considerar que a escola, as famílias e até mesmo as políticas públicas também estão trabalhando para transformar essa realidade.

Inspiração pelo exemplo e afeto

Que tal reunir seu corpo docente e surpreender seus estudantes com um bate-papo sobre o primeiro livro que marcou suas vidas?  O que acha de quebrar a rotina para compartilhar o  livro preferido da infância, da adolescência e até mesmo o mais querido atualmente?

Explorar os encontros com as obras, spoilers das histórias, as emoções que eles renderam, pode ser um momento muito encantador para tornar os livros um assunto de primeira importância nos corredores da escola. Esse é um exemplo de prática afetiva, que cria identificação e oportunidade para professores e estudantes se inspirarem.

Dê voz e vez

Atender às crianças e adolescentes lidas como nativos digitais, exige que a escola faça sentido e dialogue com a sociedade em que estão inseridos. Assim, acolher o universo de identificação do estudante é um caminho necessário, que pode render bons frutos até para aqueles que não gostam de ler.

Já pensou que a leitura pode ser combinada com várias outras possibilidades do mundo cinematográfico? Então o que acha de levar para a sala de aula os personagens dos filmes, desenhos e séries que eles mais amam? E aquele game que seus alunos não param de falar?

São exemplos de como aproximá-los do gênero em quadrinhos, por exemplo, e até mesmo de romances que se assemelham às suas histórias preferidas!  

E claro, o universo web também pode ser aproveitado no incentivo à leitura nas escolas. As fanfics, os memes, os reels, os canais e perfis de booktubers e tantas outras possibilidades que as redes sociais trazem, podem servir tanto como ponto de partida, quanto exemplos de produções que os estudantes podem desenvolver após uma leitura compartilhada.

Formação continuada

A formação continuada tem um espaço fundamental na jornada dos professores e falando de formação leitora, não poderia ser diferente.

Para incentivar a leitura nas escolas, os gestores, além de darem autonomia aos professores para criarem oportunidades de engajamento com os livros, precisam atuar no estímulo à reflexão de sua prática pedagógica dentro do campo da leitura.

Um ótimo espaço para essa construção ativa é a formação continuada! Sabemos que a formação leitora dos estudantes se dá com intervenções significativas, que devem compreender as várias dimensões da leitura.

O que exige do professor preparo para trabalhar essas dimensões com clareza e intencionalidade pedagógica.

E essa formação não necessariamente deve ser em formato de uma pós graduação ou curso, em intervalos de meses ou anos. Mas ser vivenciada por meio de livros de referência, artigos de blog, como aqui no blog da Árvore, e canais no Youtube podem ser acessados regularmente. Já pensou nisso?

Clube de leitura entre os gestores

O clube de leitura é um espaço de trocas, uma atividade coletiva, de socialização e debate sobre leitura. É uma super oportunidade para a gestão se aproximar  dos professores, conquistar sua confiança, construir um ambiente de diálogo e empatia entre os educadores. Deslocando-os a repensar sua própria experiência e aprendizado com diferentes perspectivas de vida.

Além disso, o clube pode criar um ambiente propício para o incentivo à leitura nas escolas a partir dos docentes, que podem assim ampliar seu repertório de leitura.

O clube entre professores e demais agentes da comunidade escolar, também pode funcionar como um laboratório de mobilização de ideias para a elaboração de atividades, projetos e outras abordagens a serem executadas com os estudantes nos diversos segmentos.

Concurso de escrita

Sabemos que leitura e escrita andam de mãos dadas! Quanto mais lemos mais ampliamos nossa capacidade de dialogar com as pessoas, defender ideias, de nos expressar artisticamente, de argumentar retoricamente ou com a ajuda da caneta ou do notebook.

Desse modo, o incentivo à leitura nas escolas pode e deve ser feito de modo combinado com a escrita. Uma ótima ideia para essa ação articulada é mobilizar atividades que estimulem o estudante a escrever sobre sua história de vida, suas expectativas, sonhos e futuro. E, assim, iniciar a implementação do componente curricular projeto de vida, previsto na proposta  do Novo Ensino Médio.

E claro, a escrita também pode ser explorada em outras áreas do conhecimento, como a habilidade artística, na criação de poemas, músicas, paródias, memes e até mesmo textos argumentativos sobre um assunto de seu interesse.

Diálogo com as famílias

É sempre bom lembrar que o apoio familiar é um grande diferencial na formação leitora dos estudantes. Afinal, o incentivo à leitura nas escolas exige uma força tarefa entre pais, professores e gestores. O que torna evidente que um dos papéis da gestão escolar é criar estratégias para fortalecer essa cooperação.

O contato mais aproximado com as famílias pode facilitar o compartilhamento de argumentos  que evidenciem o papel da leitura e a da interpretação textual. Fazendo com que as ações iniciadas na escola sejam fortalecidas e até mesmo ampliadas dentro de casa.

O que pode se tornar um catalisador de mudança na relação dos pais com os livros. E assim, quem sabe, estimular a formação de pais mais leitores também.

Invista no acervo da sua escola

Proporcionar um vasto acervo para que os estudantes tenham a oportunidade de explorar seus interesses e até mesmo serem surpreendidos com outras possibilidades, faz parte de como a gestão pode incentivar a leitura na escola.

Sabemos que construir uma biblioteca dentro dessas proporções pode ser muito difícil para algumas instituições, é por isso que a Árvore existe! Nosso acervo, com mais de 30 mil títulos, possibilita que o estudante tenha acesso a diversos gêneros literários incríveis!

A fim de engajar os estudantes no universo da leitura, a Árvore oferece também plataformas gamificadas para tornar o momento da leitura muito mais atraente e estimulante. Uma ótima oportunidade para combinar diversão e leitura!


Gestor, o que achou das diversas possibilidades que destacamos aqui? Esperamos que esse post te inspire a tornar seus estudantes e professores ainda mais apaixonados pelos livros. E mais, que te apoie na elaboração de estratégias para que a leitura na sua escola se torne uma rotina divertida e encantadora. Até o próximo texto!

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