Games na educação: confira por que utilizar e exemplos para sala de aula!

Os jogos sempre estiveram na vida das pessoas e em sala de aula, porém, com o avanço da tecnologia as formas de aprendizagem utilizando estes elementos se transformaram. Os antigos jogos de tabuleiro ou cartas foram substituídos pelos digitais, e, consequentemente, pelos jogos de videogame e computador.

Com isso, uma grande oportunidade surgiu para os educadores: como utilizar jogos digitais em sala de aula? Neste post, você encontra dicas e exemplos para ajudar os educadores nesta questão!

Gamificação em sala de aula. Por quê?

Um game pode ser jogado sozinho ou em grupo, seguindo regras e envolvendo habilidades, como por exemplo, força, raciocínio lógico, ou até mesmo sorte. Essa estrutura está muito presente no dia a dia escolar, principalmente quando nos deparamos com atividades que requerem que os estudantes superem obstáculos e atinjam metas, elaborem soluções para desafios e busquem avançar e ganhar pontos em uma determinada missão.

O educador que utiliza essa abordagem em sala, seja de forma tradicional ou com o suporte de ferramentas digitais, está intuitivamente adotando um processo de gamificação, ou seja, aplicando elementos da dinâmica dos jogos nas atividades do cotidiano. Com isso, ele expande os horizontes pedagógicos por meio de atividades motivadoras e divertidas.

O poder dos jogos no ambiente educacional pode ser grande, e normalmente envolve quatro pontos principais, que influenciam na aprendizagem:

Desafios de vários níveis

É o conhecido “passar de fase”. Após cumprir determinado desafio, o jogador é recompensado com a ida para outra fase, mais complexa e com aventuras diferentes. O mesmo ocorre em jogos que premiam com medalhas ou selos: o jogador pode se automotivar pelo desafio de conquistar um selo muito difícil ou escasso, e assim continuar sua jornada pelo jogo.

Compreensão de narrativas

A grande maioria dos jogos é baseada em narrativas, ou seja, histórias fictícias (ou nem tanto!) sobre as quais a ação irá se desenvolver. Um contexto é apresentado ao jogador (Tempo histórico, local em que se passa a história), o personagem principal é apresentado (Quem é ele? Um herói? Um conquistador? Uma pessoa comum que terá que passar por grandes desafios?) e a situação problema é definida (O que precisa ser conquistado? Por quê? Há restrições de recursos para atingir o objetivo?).

Para ter um desempenho satisfatório no jogo, o jogador deve compreender a narrativa de maneira suficientemente clara, “entrar” na história e sentir que pode ser o personagem do jogo, o protagonista nesta história.

Personalização

Para aumentar ainda mais a sensação de pertencimento e protagonismo, os jogos trabalham normalmente com avatares, ou seja, figuras que representam o jogador. Esses personagens são controláveis e podem ser personalizados como quisermos. Ao desenvolver seu avatar, o jogador sente-se parte integrante do jogo e o processo de identificação com a narrativa pode ser muito maior.

Recompensa em desenvolver habilidades

Cada jogo demanda habilidades específicas para o cumprimento das metas, como por exemplo, no mundialmente famoso“Minecraft”. Nesse game, os jogadores estão imersos em um mundo comum, proporcionado pelo jogo; porém, suas ações em tal ambiente variam de acordo com a vontade e a bagagem que cada jogador carrega.

Assim, quem for mais hábil na construção, terá uma casa melhor; o que for mais habilidoso na caça e exploração terá itens mais difíceis de serem encontrados e assim por diante. Ao aprimorar competências específicas para completar os desafios, o aluno vai também se formando para outros contextos de vida.

Leia também: Games e educação sob a perspectiva da neurociência

Exemplos de games na educação

Em suma, o universo dos games, assim como os dos filmes e literatura, tem vários atrativos para o jovem que está se formando. Com isso em mente, selecionamos alguns exemplos de jogos digitais interessantes que podem ser utilizados com objetivos educacionais.

Todos os jogos mencionados nessa lista estão disponíveis para várias plataformas, ou seja, eles podem ser jogados tanto nos computadores, nos tablets e até mesmo nos videogames. Esses games também estão disponíveis em português (exceto o “Machinarium”), ou seja, ao fazer a dublagem as equipes envolvidas levam em consideração a forma de falar do português brasileiro, e não a do português europeu, atribuindo uma familiaridade maior para o jogador.

Uma narrativa histórica da Primeira Guerra Mundial: “Valiant Hearts” (recomendado para maiores de 12 anos e com legendas em português.)

Esse jogo mostra-se extremamente atrativo para desenvolver a relação entre um fato histórico e a linha da narrativa. Ele coloca o jogador imerso no ambiente da Primeira Guerra Mundial, mostrando as diferentes perspectivas do conflito. Além disso, no game temos várias questões histórico-sociais, como por exemplo, o papel da mulher, a comunicação através de cartas e a diferença entre culturas.

O jogo faz um panorama sobre o conflito, de uma forma pouco explorada nos livros de história, além de atribuir um caráter mais lúdico à narrativa, pois os desenhos assemelham-se muito com as histórias em quadrinho.

Narrativa do mundo da fantasia exposta por meio de rimas:“Child of Light” (recomendado para maiores de 10 anos e disponível – texto e narração – em português.)

Este jogo pode ser jogado tanto pelos alunos que gostam de português e de literatura, quanto os que gostam de matemática e ciências exatas. Nele nós somos apresentados à uma narrativa muito similar às das histórias dos contos de fada e de fantasia. Além disso, todas as falas dos personagens e do narrador, aparecem rimadas. Os professores de português podem fazer uma aproximação à poesia, mostrando suas diferenças em relação aos textos em prosa.

Quanto à estética, as imagens presentes no jogo fazem referências aos vitrais das catedrais e de arte medieval, além disso, os cenários utilizam texturas que se assemelham a pinturas. Esse caráter imagético pode ser utilizado pelos professores de artes.

Além disso, as lutas deste jogo são embates por turnos: em cada ataque o jogador deve pensar no golpe que irá deferir em seu adversário, desenvolvendo sua estratégia, para assim, alcançar a vitória. Isso faz com que ele acabe sendo bem-parecido com os jogos de xadrez ou damas.

Temas atuais tratados por meio de jogo de lógica:“Machinarium” (sem classificação definida, em inglês)

Jogo muito interessante para o ambiente escolar, pois trata de temas atuais com uma elegância não muito comum aos games. Da mesma forma que o filme “Wall – e”, vemos nesse jogo a temática da sustentabilidade e do tão em moda atualmente, mundo pós-apocalíptico. Esse jogo tem sua estrutura desenvolvida através de pequenos quebra-cabeças que o jogador deve solucionar para prosseguir. Os enigmas e estratégias requerem pensamento lógico, além de instigar questões sobre a sustentabilidade e outros temas atuais.

Alguns professores podem achar o fato de o jogo estar em inglês um problema, porém, como não existem muitos diálogos, as poucas partes em inglês podem ser uma boa chance para se desenvolver uma atividade interdisciplinar, entre os professores de português, artes e inglês, por exemplo.

Além da sala de aula

Muitos pais e professores consideram os games genuinamente educacionais, pois as habilidades desenvolvidas neles vão muito além da ciência e da tecnologia. Porém, o segredo dos jogos não está no jogo em si, mas sim na atividade do jogador. As atividades como buscar vídeos no YouTube, mostrando como se passa de fase (“Walk-through”), ou ainda buscar informações em sites, são artifícios muito interessantes para os estudantes. Os jogos motivam as crianças a ler, e, por muitas vezes, ler coisas acima de seu nível de compreensão.

Por isso, da próxima vez que nos depararmos com os jogos digitais, devemos ter em mente que eles podem ser mais do que meros passatempos, podendo ser utilizados como uma fonte educacional riquíssima, é só saber escolher.

Boa diversão!

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