A imagem da escola na era das redes sociais: aprenda a se comunicar com os pais

24 jun 2017
3 min

A sua escola sabe se comunicar? Essa temática foi abordada pelo educador e diretor do Instituto Singularidades, Miguel Thompson na palestra “Comunicação estratégica da escola em tempos de Whatsapp”, apresentada no último dia do Bett Brasil Educar. Saber se comunicar é uma habilidade essencial para qualquer instituição, inclusive para as escolas.

Como se comunicar com os pais

Há várias formas de se estabelecer a comunicação entre escolas e pais, como acontece em reuniões bimestrais ou trimestrais; como acontece em comunicados por e-mail e também nas redes sociais. O especialista explica que é essencial que todos os canais e meios de comunicação estejam alinhados para passarem a mesma mensagem e reforçarem os valores da instituição.

“É fundamental que aquilo que a gente produz seja comunicado”, diz Thompson. “A escola peca muito, porque nós temos muitos canais de comunicação e a gente quer comunicar o que a gente faz bem. Constantemente, a gente produz um tipo de valor, um tipo de trabalho que a gente não estrutura em termos de comunicação integrada”, diz Thompson.

Ter uma comunicação integrada é fundamental

Estabelecer comunicação integrada é, justamente, saber transmitir a mesma mensagem de forma adaptada em cada canal de comunicação. “A comunicação tem que fazer com que o ruído que corre por aí se transforme em sentido”, explica o especialista.

Antes de tudo, é preciso que os educadores e gestores escolares tenham em mente o que eles querem comunicar. Para isso, o educador afirma que é preciso saber exatamente o propósito da instituição: “Qual é o nosso propósito enquanto escola, enquanto educadores? Essa é a nossa força!”, diz. “É colocar o aluno na melhor universidade? Formar um cidadão? Ajudá-lo no autoconhecimento? Formar especialistas? Contribuir para a sociedade? Para que existe essa escola? Você sabe o propósito da sua escola?”.

Uma vez respondida essa pergunta, está estabelecido o ponto de partida. “É isso o que a gente tem que comunicar cotidianamente”. Se, por exemplo, o objetivo da escola é formar cidadãos letrados e críticos, tudo o que for feito na escola precisa levar esse objetivo em conta. “A partir disso, tudo tem que impregnar o seu projeto educativo. As comunicações feitas para os pais, o Projeto Político Pedagógico, o planejamento, o plano de aula... O coordenador que olha o plano de aula tem que entender que vocês [professores] querem formar cidadãos ativos e o conjunto das aulas tem que trazer elementos de cidadão ativo”, explica Thompson.

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A importância da reunião de pais

Ele destaca a reunião de pais como um grande momento de interação para reforçar os valores e, para isso, é preciso planejamento. Antes da reunião é preciso que professores e coordenadores pensem e treinem uma pauta que de alguma forma defenda os valores da escola, em vez de repassar informações que poderiam ser enviadas por e-mail.

No que diz respeito a questões ambíguas e polêmicas, é preciso que a escola se comunique, chame a comunidade escolar para debate e se posicione de uma forma transparente. Thompson explica que a reunião de pais, novamente, pode ajudar e não apenas na comunicação com os pais que estão presentes naquele momento, mas também posteriormente e em redes sociais. “Reunião de pais é o momento mais importante, é o momento de esclarecer os boatos que acontecem no portão da escola”, explica Thompson.

“No buffet infantil, você não tem o menor controle do que vai ser comentado, mas na reunião de pais, é você quem define a pauta. Muitas vezes, a gente tenta fugir desses assuntos na reunião de pais e é desses [assuntos] que a gente tem que falar. Se você explicar bem para os pais, contar o que aconteceu, esses pais é que vão fazer a sua defesa”.

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Postagens nas redes sociais

À medida que os objetivos são convertidos em ações e resultados, isso precisa ser comunicado constantemente. De acordo com o educador, a partir do momento em que os pais entendem e compram aquele projeto, quando eles estiverem na rede do WhatsApp e alguém falar mal da escola, eles vão defendê-la. Mas é preciso que a escola dê elementos para isso.

“Se vem um pai e fala ‘estou querendo levar o meu filho para colégio tal, o colégio atual está muito ruim e não está fazendo nada’. O seu amigo vai falar ‘imagina olha o Facebook da escola, lembra que eles estão falando que estão formando cidadãos críticos? Olha esse post, esse post e esse post’. Você está dando elementos para aquele pai que gosta de você fazer a defesa do seu projeto”, explica Miguel Thompson.

Outro ponto importante para as postagens das redes sociais é que a escola saiba desviar de armadilhas e distrações. “Muitas escolas piram quando são a décima do Enem na região (só que agora não há mais ranking do Enem), mas o cara pira, em vez de vender o valor que você estava vendendo antes, que é a formação de um aluno crítico, que [por exemplo] participou de um congresso e que não estava no Enem, mas que você tem um monte de fotos e registros disso, você simplesmente não comunica isso e um resultado que não é o seu foco aparece e você se desespera e não faz a defesa do seu projeto”.

É preciso que a escola aposte em conteúdo que apresente a sua essência e não que seja “publicar por publicar”. O especialista reforça: “comunicar não é colocar uma foto de um menininho bonitinho com a apostila da sua escola embaixo do braço, isso não comunica nada, você tem que comunicar esses meninos em ação, mostrando de fato o que eles estão fazendo, isso tem que aparecer sempre”.

A comunicação integrada exige constantemente a visão do propósito e de como esse propósito está se mostrando na prática, de como ele está tangível. Quando a escola consegue ter um controle do que é publicado nos canais de comunicação, as chances de ruídos e boatos são menores. É trabalhoso articular todos os canais de comunicação ao mesmo tempo, mas se a instituição estiver preparada, se tiver uma estratégia, essa tarefa é possível.

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