Avaliação escolar: como definir os melhores caminhos no processo

Desenvolver e aplicar métodos de avaliação escolar é essencial para o processo de ensino e aprendizagem, não só para os alunos mas também para os professores. Isso porque a avaliação ajuda a iluminar e ajustar os caminhos até os objetivos de aprendizagens definidos pelos currículos em parceria com os agentes escolares.

Para saber mais sobre como avaliar de forma que o aluno e o professor estejam conscientes desses percursos, conversamos com a Leticia Reina, mestre Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, pela PUC-SP e Gestora Educacional da Árvore. Confira a entrevista a seguir:

Durante a sua trajetória como coordenadora pedagógica, como era a sua relação com o processo de avaliação escolar nas instituições de ensino por onde passou?

Fui coordenadora de Fundamental 2 e as avaliações sempre foram motivo de muita discussão, por entendermos que elas são parte do processo formativo. Mas, claro, muitas vezes nos vemos em situações em que as provas são colocadas para classificar e podem causar ansiedade nos alunos e muita pressão também nos professores.

O que discutíamos, para amenizar esse valor de classificar ou de trazer instrumento/momentos únicos avaliativos, é fazer a avaliação escolar estar presente em diversas situações: um debate, um seminário, a prova escrita, uma experiência no laboratório ou as apostilas de observação de um trabalho de campo, por exemplo.

Avaliar o aluno tinha que estar inserido em um processo contínuo em que ele aprende também sobre os procedimentos de responder provas, de falar em público, de apresentar oralmente argumentos, etc.

De acordo com a psicopedagogia, qual é a  função da avaliação escolar? Por que e para que avaliar?

Avaliar tem que ter o intuito de entender os processos de aprendizagem do aluno para rever a rota do ensino. A avaliação escolar deve ter o objetivo de compreender o que os alunos estão conseguindo aprender, aquilo que não conseguiram e qual a melhor forma de cada aluno entender, aprender, construir conhecimento.

Porque diferentes formas de avaliar também devem ser levadas em consideração nesse processo. Alunos que aprendem mais e melhor lendo, aqueles que aprendem escrevendo, outros falando (explicando um assunto pro colega, por exemplo), outros ouvindo ou vendo vídeos. Diferentes avaliações podem trazer as ideias de diferentes intervenções, que atendam às diversas modalidades de aprendizagem.

Com a presença cada vez mais frequente do ensino híbrido nas escolas, você considera que o processo de avaliação sofreu alterações significativas ?

Percebo que existe uma discussão maior em torno dos processos de ensino e aprendizagem, mais do que antes. As ferramentas tecnológicas digitais trouxeram possibilidades novas para a sala de aula, que possibilitaram que os educadores pudessem revisitar as formas de avaliar. Avaliar o aluno por processo, dentro de um Projeto, por exemplo, não é algo novo.

Mas as TICS trouxeram novas perspectivas e novos instrumentos. E como temos hoje novas formas de comunicação, consumo e produção de conteúdo, as escolhas dos educadores foram revistas. Com a pandemia, isso ficou mais evidente, pois as escolas tiveram que recorrer à tecnologia para ensinar e avaliar e os alunos, portanto, puderam viver novas formas de aprender. Isso foi significativo nas avaliações.

O que temos que pensar é que daqui pra frente os objetivos educacionais devem estar pautados nas habilidades que os alunos têm que desenvolver e as TICS devem atender a esses propósitos, e dessa forma, as avaliações também devem atender e ajudar a rever sempre e continuamente as propostas de ensino.

Muitas teorias defendem que a avaliação contribui de forma efetiva como farol para o fazer pedagógico. Como a avaliação pode ser utilizada para que esse direcionamento seja qualitativo, tanto para o professor quanto para o aluno?

A avaliação escolar deve possibilitar a reorganização da rota, respeitando a diversidade de instrumentos e a diversidade de modalidades de aprendizagem. Ao escolher um instrumento de avaliação, seja uma prova escrita, uma prova oral, um debate em grupo, um seminário, o educador deve ter muito claro o que ele espera dos alunos e olhar para esse resultado pensando: as perguntas que elaborei estavam boas? Me ajudou a entender o que meus estudantes sabem e não sabem? Essa forma foi eficiente?

E as avaliações têm que dar esse retorno da qualidade da intervenção didática também. Além de olhar pro aluno e pensar o que ele aprendeu e como pode ter novos desafios, as avaliações devem fazer com o educador pense se o instrumento é adequado para medir a habilidade que ele pretende que o aluno desenvolva.

Qual o papel da direção escolar no processo de avaliação utilizado pelos professores em uma escola?

A equipe de gestão deve garantir formação continuada para educadores. Deve-se garantir tempo de estudo e planejamento, para que os docentes possam debruçar nos resultados e olhar o que os alunos aprenderam, como eles aprenderam e o que eles ( docentes) podem melhorar em suas propostas.

Sem tempo e investimento em formação, o educador não consegue tempo hábil para isso, e as provas acabam servindo para classificar o aluno, para dar nota, para "passar" ou reprovar os estudantes. E fica entendida como momento único, fixo e estático do ensino e da aprendizagem. E o processo de avaliação escolar deve de fato ser processo e deve ser contínuo. O gestor deve ter o papel de acompanhar esses resultados e oferecer novas possibilidades e recursos para a comunidade.

Como as avaliações brasileiras de larga escala  contribuem com o processo de ensino e aprendizagem dos  estudantes e educadores e como as escolas podem se preparar para esses testes?

As avaliações externas devem trazer os parâmetros de como os alunos estão em relação ao todo nacional. Os critérios, objetivos, habilidades, questões trabalhadas devem trazer o que se espera do estudante brasileiro e "puxar" a régua do ensino para cima. E portanto, as escolas e planejamentos devem funcionar o ano inteiro em função desses objetivos, com os olhos voltados para onde se quer chegar.

A BNCC traz essas habilidades por segmento e o trabalho nas escolas deve acontecer o ano inteiro com esse intuito. Não pode ser um trabalho para preparar para o teste, mas um trabalho para preparar o aluno integralmente como leitor, escritor, ciente de seu papel cidadão e com um olhar crítico para as questões da sociedade. Dessa forma, as avaliações externas devem buscar entender como foi o trabalho e dar um feedback se as estratégias didáticas estão funcionando. E de novo, essa reflexão deve servir de ajuste na didática, nos instrumentos, nas mediações feitas. O ideal é que as provas sejam fontes de reflexão e ajustes contínuos do fazer de toda comunidade escolar - gestores, professores e alunos.

Gostou da nossa entrevista? Aproveite e confira mais sobre avaliação escolar durante o ensino remoto no nosso canal do YouTube!

No items found.
Versão gratuita Árvore Livros

Experimente a versão gratuita da Árvore Livros

Tenha todas as funcionalidades da Árvore Livros em uma versão gratuita com acervo selecionado.

10.000+ people recommend using Client-first

Você pode gostar também

sala de aula interativa
Gestão Escolar

6 ideias para criar salas de aula interativas em sua escola

Confira nesta postagem seis ideais inovadores para garantir salas de aula interativas na sua escola. Com isso, você vai garantir uma aprendizagem significativa!

Continue lendo
professora realizando avaliação qualitativa com aluno
Gestão Escolar

A importância da avaliação qualitativa no cotidiano escolar

Neste texto, você vai descobrir o que é a avaliação qualitativa e como ela pode ser importante para o cotidiano escolar.

Continue lendo