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Descubra como pode ser fácil trabalhar artes e língua portuguesa

Descubra como pode ser fácil trabalhar artes e língua portuguesa

11/08/2022
5 min
Post modificado em:
8/11/2022

Você já pensou sobre os diálogos possíveis entre artes e língua portuguesa? No texto de hoje, iremos refletir sobre esses dois componentes da área de Linguagens da BNCC e quais são as principais relações entre eles. Ao final, deixamos algumas dicas de como trabalhá-los de forma interdisciplinar em sala de aula. Confira!

A área de Linguagens na BNCC

De acordo com a BNCC, as atividades humanas realizam-se nas práticas sociais, mediadas por diferentes linguagens: a oral, a escrita, a corporal, a visual e a sonora. Por meio dessas práticas de linguagem, as pessoas interagem consigo mesmas e com os outros, constituindo-se como sujeitos sociais. 

A formação integral de um indivíduo acontece no desenvolvimento das especificidades de cada uma dessas linguagens, sem perder a visão dos contextos culturais nos quais elas estão inseridas. Quando falamos de linguagens, devemos ter em mente que elas são dinâmicas, e que todos nós participamos desse processo de constante transformação. 

A área de Linguagens da BNCC é composta pelos seguintes componentes curriculares: Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e, nos Anos Finais, Língua Inglesa. Esses quatro componentes desenvolvem práticas sociais de linguagem diversificadas, que permitem que os estudantes ampliem as suas capacidades expressivas em manifestações artísticas, corporais e linguísticas. 

A seguir, vamos nos aprofundar na relação entre os componentes artes e língua portuguesa.

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A Língua Portuguesa na BNCC

O componente língua portuguesa assume o texto como objeto central de trabalho. O estudo do português deve proporcionar atividades que contribuam para a ampliação dos letramentos, de forma a possibilitar a participação do sujeito, de forma crítica e significativa, nas diversas práticas sociais permeadas pela nossa língua.

Na BNCC, a organização do componente língua portuguesa, envolve diferentes práticas de linguagem, definidas pelos seguintes eixos: leitura, produção de textos, oralidade e análise linguística/semiótica. Para contextualizar o ensino da língua, a base também aponta diferentes campos de atuação social da palavra – a vida cotidiana, as práticas de estudo e pesquisa, a vida pública, o campo jornalístico-midiático e o campo artístico-literário. 

As dinâmicas de letramento da educação básica acontecem dentro desses diferentes campos de atuação, que se atravessam e dialogam. Dessa forma, desenvolvem, concomitantemente, inúmeras competências e habilidades.

A Arte na BNCC

No Ensino Fundamental, o componente curricular arte está centrado nas seguintes linguagens: as Artes Visuais, a Dança, a Música e o Teatro. A sensibilidade, o pensamento e as subjetividades se manifestam como formas de expressão no processo de aprendizagem em Arte. 

O ensino de arte propõe a experiência e a vivência artística como prática social. A BNCC propõe que a abordagem das linguagens artísticas articule seis dimensões do conhecimento que, de forma indissociável e simultânea, caracterizam a singularidade da experiência artística: criação, crítica, estesia, expressão, fruição e reflexão. 

Explorar e analisar produções artísticas do próprio entorno social é fundamental para reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico e político. Através do ensino da arte, também espera-se que o estudante se torne protagonista do fazer artístico, que pesquise e conheça distintas matrizes estéticas, sua tradição e suas manifestações contemporâneas.

A arte-educação envolve, portanto, o fazer artístico por meio de diferentes práticas de linguagem, procedimentos e materialidades; a análise e a crítica acerca do patrimônio artístico nacional e internacional e, sobretudo, a experiência sensível dos sujeitos, onde o corpo é o protagonista da experiência estética.

O campo artístico-literário

Como articular, então, os componentes artes e língua portuguesa? São muitos os caminhos! Podemos começar nos aprofundando no campo artístico-literário, essencial para o estudo da língua e das linguagens, ao longo de todo o ensino fundamental e médio. 

Nesse campo de investigação do texto, propõe-se a leitura, fruição e produção textual de diferentes gêneros literários. É a partir do contato com a diversidade linguística-cultural que se incentiva a experiência estética da língua.

Em arte, a experiência estética é multissensorial e se apresenta como um dos principais elementos do ensino, especialmente quando falamos de estesia, expressão e fruição. 

Artes e língua portuguesa, portanto, caminham lado a lado! E uma das principais palavras-chave que as une, como você já deve ter percebido, é a experiência

Um estudo realizado pela OMS mostra que a experiência com a arte pode fazer bem à saúde mental e física. A pesquisa, que analisou evidências de mais 900 publicações globais, destaca que intervenções artísticas, por meio da participação ativa ou passiva do sujeito, oferecem soluções que a prática médica comum até agora não conseguiu abordar de maneira eficaz.

Podendo ser adaptadas para pessoas de diferentes origens culturais, as diversas linguagens artísticas, das artes cênicas à música, da pintura à literatura, complementam e aprimoram protocolos de tratamento de doenças como câncer, diabetes, Parkinson e problemas de saúde mental.

A importância da experiência no ensino

As artes e as literaturas são campos extremamente abrangentes, que tocam as mais diferentes culturas e realidades, mas que proporcionam experiências profundamente individuais. 

Podemos considerar que o contato com a obra de arte, seja ela literária ou de outra linguagem artística, possibilita a expansão da subjetividade e da capacidade de percepção e compreensão do mundo. Experienciar é, sobretudo, olhar além do que nos é apresentado. 

O professor Jorge Larrosa, da Universidade de Barcelona, aponta que não se pode antecipar o resultado de uma experiência

"...[pois] a experiência não é o caminho até um objetivo previsto, até uma meta que se conhece de antemão, mas é uma abertura para o desconhecido, para o que não se pode antecipar nem ‘pré-ver’ nem ‘pré-dizer’." (LARROSA, 2002)

Ainda nesse sentido, a BNCC mostra que, para que a função utilitária da literatura – e da arte em geral – possa dar lugar à sua dimensão humanizadora, transformadora e mobilizadora, é preciso garantir a formação de um leitor/espectador fruidor.

O que atravessa as nossas emoções, muitas vezes, fica no campo do indizível e do não-palpável. Ainda que uma experiência não possa ser orientada, contabilizada ou reproduzida, a escola pode sim proporcionar momentos que apoiam a formação do leitor/espectador fruidor. Espaços educativos são espaços privilegiados para abrir caminhos para a experiência estética. 

O que considerar ao trabalhar artes e língua portuguesa?

Como educadores e educadoras podem, então, abrir diálogos entre artes e língua portuguesa em suas salas de aula? Atividades que facilitem um trânsito criativo, fluido e desfragmentado entre as linguagens artísticas podem construir uma rede de interlocução da arte com a literatura e enriquecer as experiências estéticas dos estudantes.

Podemos encontrar um texto literário em um livro e também em outros tipos de suporte. Por exemplo, a leitura de um texto teatral não precisa se dar a partir de um texto escrito; ela pode acontecer durante o próprio espetáculo, trazendo para a experiência do indivíduo as suas múltiplas camadas de sentido. O som, o cenário, os cheiros, as luzes, os corpos dos atores, todos esses elementos participam de processos de leitura, de interpretação e de fruição.

A leitura ritmada de um poema, ou até mesmo o ato de escutar uma canção possibilita um outro tipo de vivência. O som, em suas mais variadas representações, evoca diferentes ritmos, musicalidades e emoções. Já uma charge ou história em quadrinhos não exige somente a leitura de um texto verbal, mas também – e, muitas vezes, principalmente – de um texto visual, que pode ser ambíguo e cheio de camadas de significados.

O desenvolvimento de projetos nos quais diferentes linguagens se integram pode gerar experiências estéticas e, portanto, de aprendizagem, amplas e complexas. E, ainda que a transmissão do conteúdo seja importante, a vivência e a experimentação de linguagens se apresenta como ponto central do trabalho com linguagens artísticas na escola. 

Dicas práticas para trabalhar artes e língua portuguesa

Professor, possibilitar relações entre artes e língua portuguesa na escola enriquece e expande a bagagem cultural de um indivíduo. Como vimos até aqui, é a partir da experiência com diferentes linguagens que também surgem novas formas de estar no mundo, de se comunicar e de interagir com o outro.  

A seguir, deixamos algumas dicas de atividades para potencializar o trabalho com as linguagens artísticas no chão da escola:

  • Adote livros ilustrados:

A expressão visual é um elemento de comunicação fundamental na nossa cultura. O livro ilustrado pode ser um excelente aliado para entrar em contato com diferentes estéticas de desenho e pintura, desenvolver novas formas de expressão e exercitar a leitura de imagens. 

  • Espetáculos teatrais ou de dança:

Como já foi dito, o teatro é uma experiência artística multissensorial! Processos de criação teatral envolvem momentos coletivos  e colaborativos, por intermédio de jogos teatrais, improvisações e encenações de roteiros e textos literários. O encontro com o outro em performance, além de desenvolver competências de comunicação e expressão pessoal, proporciona vivências repletas de ludicidade.

  • Melodia e palavra na sala de aula:

Professores de artes podem criar playlists de acordo com o gosto da turma para tocar durante as suas aulas. Aulas de artes envolvem processos de criação e muita mão na massa! Durante esses momentos, pode ser interessante proporcionar o encontro dos estudantes com músicas que gostam e também expandir os seus horizontes com melodias, ritmos e letras que ainda não conhecem. 

  • Projetos de leitura:

Um projeto de leitura com um livro literário é uma ótima forma de trabalhar artes e língua portuguesa. Educadores podem propor investigações artísticas de temáticas ou gêneros textuais. Por exemplo: a partir de um livro ou texto em cordel, você pode desenvolver uma oficina de xilogravura, momentos de leitura em voz alta e até mesmo uma apresentação musical com ritmos nordestinos. Explorar um texto integralmente possibilita expandir as experiências da turma com as mais diversas linguagens artísticas.

  • Visitas ao museu:

O contato com a arte para além dos muros da escola é fundamental na formação de nossos estudantes. Espaços museais possibilitam experiências profundamente formativas, e muitos museus se preocupam com a curadoria educativa de suas exposições. Os textos de parede, a disposição das salas, as luzes, a expografia, a equipe de mediadores, enfim, todos esses são elementos que enriquecem a experiência com a obra de arte e com a linguagem. Uma visita ao museu pode inclusive inspirar seus alunos na montagem de uma feira de arte ou exposição da turma. Que tal pensar em uma exposição artística como culminância de um projeto de leitura?

Professor, espero que o texto tenha contribuído para as suas reflexões sobre o trabalho interdisciplinar de artes e língua portuguesa. Para novos olhares sobre a temática, não deixe de assistir o nosso papo com Lázaro Ramos, onde ele fala sobre a arte e a educação como ferramentas de transformação social. Um abraço e até a próxima!

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