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Como será o Novo Ensino Médio? Tudo o que você precisa saber

Como será o Novo Ensino Médio? Tudo o que você precisa saber

26 maio 2022
3 min
Post modificado em:
26 maio 2022

Se você ainda tem dúvidas sobre o Novo Ensino Médio, esse texto é para você! Reunimos aqui as informações mais relevantes para um aprofundamento sobre essa mudança, tida como uma das mais importantes na política de educação nacional.

Nosso objetivo é detalhar os conceitos e os principais destaques do Novo Ensino Médio, da Base Nacional Comum Curricular e da Reforma. Vamos lá!  

O que é o Novo Ensino Médio?

A última etapa da educação básica é marcada por números muito preocupantes! Podemos destacar o baixo desempenho, o desinteresse, uma taxa de evasão de mais de 40% dos estudantes, principalmente na região norte do país, e 28% de distorção idade-série. Dados obtidos pelo PNAD e UNICEF, respectivamente.

Pensando nesses marcadores, a Lei 13.415 estabelecida em 2017, prevê uma reforma estrutural do Ensino Médio. As mudanças estão começando a ser implementadas neste ano de 2022 para os alunos da 1ª série do segmento.  Até 2024, todas as outras fases deverão já ter experimentado as alterações propostas.

As modificações terão como referência o documento que norteia e serve como princípio a toda a educação nacional, estamos falando dela, já muitas vezes citada por aqui: a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)!

Junto da Base, temos o Guia de Implementação do Novo Ensino Médio e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio que vão direcionar as escolas na reformulação do Novo Ensino Médio. Mas, no texto de hoje, vamos focar no documento chave de toda a reforma, a BNCC.

O que é a BNCC?  

A Base Nacional Comum Curricular é um documento previsto na Lei de Diretrizes e Bases, a LDB, de 1966, na Constituição Federal de 1988 e no Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014. Ela integra a política nacional de educação básica.

É um documento que estabelece um conjunto de aprendizagens fundamentais a que todos os estudantes do Ensino Infantil, Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos têm direito.

A BNCC é uma referência obrigatória para que escolas públicas e privadas de todo o país construam seus currículos e propostas pedagógicas. Seu principal intuito é estabelecer direitos e objetivos de aprendizagem, habilidades e competências que devem ser trabalhadas em todas as etapas escolares.

Outro ponto que o documento destaca é a importância de uma educação integral do estudante, prezando pelo seu desenvolvimento pleno. Isto é, uma educação que não separe o desenvolvimento cognitivo do emocional, proporcionando ao estudante protagonismo na sua formação.

E para o desenvolvimento de protagonismo e autonomia, deslocando o aluno para um papel de agente ativo na escola e no mundo, as competências e habilidades serão adotadas como base fundante de todo o processo de ensino e aprendizagem.

O que são competências?

A competência é a reunião de diferentes conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para lidar com os desafios de uma sociedade complexa em um mundo diverso e tecnológico.

Elas contribuem para uma construção social mais humana, justa e que preze pela preservação do ambiente. Destacamos abaixo um trecho da Base:

“[...] competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.”

Segundo a BNCC, as competências e habilidades devem ser transversais a todos as atividades, tarefas, projetos e conhecimentos mobilizados durante o Ensino Médio. Todos os trabalhos, processos e atividades pedagógicas devem ter por objetivo o desenvolvimento das 10 competências gerais dos estudantes.

De acordo com o documento confeccionado pelo MEC, as competências gerais se baseiam em:

  • Conhecimento: valorizar os conhecimentos historicamente construídos no mundo para entender e explicar a realidade;
  • Pensamento científico, crítico e criativo: exercitar, testar, solucionar com criticidade e criatividade;
  • Repertório cultural: ampliar a capacidade do estudante de compreender e participar das diversas manifestações artísticas e culturais dos indivíduos e grupos sociais;
  • Comunicação: conhecer e dominar as diferentes linguagens e contextos para os quais cada tipo de comunicação é necessária;
  • Cultura digital: compreender e utilizar as tecnologias de forma ética, crítica e consciente, a fim de poder criar e interferir sobre elas com protagonismo e autonomia;
  • Trabalho e projeto de vida: valorizar experiências e diversidade de saberes para compreender o mundo do trabalho, de modo a tomar decisões conscientes e cidadãs;
  • Argumentação: argumentar de forma crítica baseada em fatos para ter condições de negociar e tomar decisões de modo ético e responsável, prezando pelos direitos humanos e pela preservação ambiental;
  • Autoconhecimento e autocuidado: conhecer-se e cuidar-se com autocrítica e capacidade de reconhecimento das emoções e limitações;
  • Empatia e cooperação: promover o respeito para exercitar empatia, valorizando as diferenças e ser capaz de cooperar e mediar conflitos em uma sociedade cada vez mais diversa;
  • Responsabilidade e cidadania: agir com responsabilidade por meio de princípios éticos e cidadãos.

Bom, agora que você já conhece o documento chave da reforma e as competências que vão orientar o aprendizado dos estudantes, chegou a hora de falar sobre o Novo Ensino Médio!

Conheça agora as principais mudanças!

Organização em duas partes

O currículo do Ensino Médio passa a ser composto por duas partes: formação geral básica e itinerários formativos.

A formação geral básica, que deve corresponder a 60% de toda a carga horária, é a etapa comum a todos os estudantes do Ensino Médio. Enquanto os itinerários formativos, que contabilizam 40% da formação, é a parte em que eles têm livre escolha.

A formação geral básica pode acontecer em todos os anos ou apenas em um único ano do Ensino Médio. Isso dependerá da organização adotada pela instituição escolar. É possível também que a carga horária da parte flexível seja executada aos poucos ao longo dos três anos do segmento. A escola terá total autonomia!

Novas áreas

A parte comum e obrigatória a todos os estudantes será composta por áreas do conhecimento e ofertada pelas escolas no formato que preferirem, por meio de projetos, oficinas, entre outras possibilidades.

Assim, os estudantes serão apresentados aos conteúdos não mais por disciplinas segmentadas, mas por áreas do conhecimento. São elas:

  • Linguagens e suas Tecnologias (Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa);
  • Matemática e suas tecnologias;
  • Ciências da Natureza (Biologia, Física e Química);
  • Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia).

O propósito é que o ensino seja mais integrado entre as diversas áreas do saber, proporcionando uma visão transdisciplinar sobre o mundo e sua aplicação nos diferentes campos do conhecimento.

Formação geral básica

A formação geral básica, na qual devem ser desenvolvidas as dez competências gerais da BNCC, compõe a maior parte da carga horária, sendo obrigatória para todos os estudantes.

Ela poderá ser ofertada tanto como componente curricular, biologia e química, ou por área do conhecimento, ciências da natureza e suas tecnologias, por exemplo.

O mais importante é que todos os conhecimentos mobilizados sejam conteúdos integrados entre diversas áreas, refletindo mais profundamente sua aplicação na realidade.

Itinerários formativos

Os itinerários formativos são disciplinas, projetos, oficinas, eletivas, núcleos de estudo e ensino técnico e profissionalizante que vão compor a parte flexível do novo Ensino Médio.

Eles se dividem em: aprofundamento dos componentes curriculares, eletivas e os projetos de vida, que poderão ser organizados de diferentes formas pela escola.

Com o objetivo de aprofundar e ampliar os conhecimentos da parte geral, devem promover a incorporação de valores universais, ampliando a visão de mundo dos alunos, trabalhando sua autonomia e protagonismo.

Os itinerários poderão propor um mergulho em determinada área com uma abordagem prática ou combinar diversas áreas com as eletivas, que são os componentes de escolha dos estudantes.

Já os itinerários de formação técnica vão preparar o estudante para o mundo do trabalho, mas também poderão valer de outros campos do conhecimento para complementar seus estudos.

Vale lembrar que a parte flexível do currículo precisa ser organizada levando em consideração pelo menos um eixo estruturante. São eles: investigação científica, processos criativos, mediação e intervenção sociocultural e empreendedorismo.

Ponto de atenção!

As escolas terão total liberdade para decidir o que vai compor seus currículos. Em outras palavras, elas possuem autonomia para decidir quais e quantas serão as áreas do conhecimento, quais eletivas vão ofertar e, ainda, se vão oferecer o ensino profissionalizante e técnico.

Duração do Novo Ensino Médio

O Novo Ensino Médio passa a ter 3000 horas anuais, um aumento de 600 horas em relação ao modelo atual, para serem cursadas ao longo dos 3 anos. Dessas, 1800 devem ser separadas para a formação geral básica e as 1200 restantes, para os itinerários formativos. Cada etapa deve então ter, no mínimo, 1000 horas.

Outra novidade é que a escola poderá organizar seu ano letivo e a duração dos componentes curriculares e projetos de acordo com suas necessidades, podendo ser bimestrais, trimestrais ou semestrais.

Vale ressaltar também o incentivo da BNCC para as atividades remotas! Agora, para os estudantes do período diurno, pelo menos 20% da carga horária poderá ser feita remotamente. Enquanto para os estudantes da educação noturna, não deve ultrapassar 30% da formação.

E ainda, os estudantes poderão cursar componentes curriculares diversos em diferentes espaços fora da escola, em instituições credenciadas na parte flexível do currículo.

Ah! O documento também incentiva o ensino integral que, progressivamente, deve passar para sete horas diárias. Mas a lei ainda não especificou um prazo final para essa mudança.

Projetos de Vida

Os Projetos de Vida também são uma novidade! Serão espaços para que os jovens discutam sobre seus futuros e sejam orientados sobre os melhores caminhos a trilhar não somente no Novo Ensino Médio, mas também em suas vidas fora da escola.

A proposta é que os jovens sejam incentivados a refletir sobre seu futuro, suas escolhas e planejar suas ações com responsabilidade, considerando seus interesses e expectativas.

Disciplinas obrigatórias

É importante pontuar que a BNCC mobiliza conhecimentos e habilidades de todos os componentes curriculares, o que muda agora é a forma como a escola vai escolher organizar e trabalhar esses conhecimentos.

Embora não sejam mais ofertadas como disciplinas obrigatórias, as artes, a sociologia, a filosofia e a educação física, devem ser trabalhadas em áreas do conhecimento ou de forma transdisciplinar.

Já a Língua Inglesa torna-se obrigatória a partir do 6° ano do Ensino Fundamental e deve, assim como a Língua Portuguesa e a Matemática, intercorrer nos três anos do Ensino Médio.

Saiba como a Árvore pode apoiar

Nosso analista de conteúdo pedagógico da Árvore, André Sampaio, trouxe alguns destaques importantes de como a Árvore pode apoiar a escola no desenvolvimento pleno dos seus estudantes no Novo Ensino Médio.

O que o educador e o gestor podem esperar da Árvore na implementação do Novo Ensino Médio?

Além de plataformas com acervo diversificado de livros e jornais do mundo inteiro, os educadores podem esperar um ambiente seguro, gamificado e repleto de propostas com intencionalidades pedagógicas alinhadas à BNCC.

Essas propostas poderão ajudar os educadores a conectar a leitura e os diferentes componentes curriculares, possibilitando aos estudantes o desenvolvimento de habilidades de estudo, contribuindo para sua autonomia e consequentemente seu protagonismo.

Na plataforma Atualidades, lançamos em 2021, através de uma parceria com o Nexo Jornal, uma série de atividades que conectam leitura dos textos jornalísticos ao cotidiano e gosto dos estudantes.

São centenas de temáticas que vão do Reggaeton, passando pelo mundo dos games, realitys shows e redes sociais e chegam aos assuntos da ordem do dia, como a guerra da Ucrânia, os problemas e desafios do meio ambiente no século XXI. Assim como as questões enfrentadas na pandemia de Covid-19, suas variantes e os processos de vacinação no Brasil e no mundo.

Esse conjunto de atividades pode ser realizado de modo autônomo pelos estudantes, de acordo com seus interesses ou planejado pelos educadores.

Cabe ressaltar, que essas atividades seguem as bases do Guia de Elaboração de Itens do INEP, possibilitando que os estudantes simulem a experiência da prova do ENEM. Tudo isso a partir de temas atuais, competências, habilidades e objetos de todas as áreas do conhecimento.

Pode explicar como nossos conteúdos podem ser úteis nesse novo modelo do Ensino Médio?

Claro! Por exemplo, na Árvore Livros, além de um vasto acervo que dialoga com os componentes curriculares ligados aos projetos de vida, temos materiais pedagógicos produzidos pela nossa equipe para apoiar o professor na elaboração de atividades, práticas e reflexões significativas no processo formativo.

Eles procuram desenvolver conceitos e objetos do conhecimento dos diferentes componentes curriculares a partir de práticas de leitura. Nossos livros e projetos também podem servir de suporte nos diferentes itinerários formativos de escolas e sistemas de ensino.

Lançamos também três componentes curriculares, buscando contribuir na ampliação da oferta de eletivas das escolas parceiras: um na área de empreendedorismo social, outro na área de mídias sociais e o terceiro na área de games.


Educador, esperamos que esse texto tenha te ajudado a compreender melhor como será essa nova etapa da educação básica. Mudanças podem parecer bem difíceis, mas você não está sozinho! Conte com a Árvore para te apoiar nesse percurso. Até mais!

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