Quadrinhos combinam com literatura na escola? Saiba a resposta!

Incentivar a leitura em crianças e jovens é tarefa que ainda se encontra por solucionar, principalmente tendo em vista o papel da escola como catalisadora do processo educativo. Por isso, encontrar dispositivos novos que auxiliem o trabalho de professores em sala de aula é sempre bem-vindo. No que se refere à literatura na escola, tem-se hoje um importante aliado: as histórias em quadrinhos ou, como também são conhecidas, as HQs.

Teóricos da literatura ainda debatem a pertinência de considerar histórias em quadrinhos como gênero literário, mas as HQs de fato apresentam semelhanças com a arte literária, pois se trata de uma narrativa com começo, meio e fim, normalmente impressa em formato brochura, o que as aproxima do formato de livro tradicional.

No artigo de hoje debateremos se quadrinhos combinam ou não com literatura na escola. Confira!

Características dos quadrinhos

Por diversos aspectos comuns ao gênero, as HQs são uma forma eficiente de entrada no universo da leitura para crianças que ainda estão construindo-se como leitores. O fato de a palavra estar acompanhada de um discurso visual, com muitas ilustrações coloridas, torna lúdico o ato da leitura e também mais ágil. Palavras e imagens se unem para compor histórias que em um livro tradicional necessitariam de um nível maior de abstração — o qual muitas vezes ainda escapa à criança.

Em se tratando desse gênero, os quadrinhos, o lúdico caminha ao lado de um anseio da sociedade contemporânea, qual seja o gosto pelas imagens. Com gerações cada vez mais hipnotizadas por telas repletas de imagens rápidas e significados condensados, as HQs abrem uma porta para a leitura se vincular a um universo visual que atrai pela sua estética arrojada.

Histórias em quadrinhos atuais, inclusive, já investem em elementos como alto-relevo e gradações de cores de alta definição para atrair novos leitores para seu universo. Porém, o mais importante ainda permanece sendo a criação de uma história atraente, com momentos de clímax marcantes que incentivem o jovem leitor a continuar sua jornada pelas palavras.

Incentivando a literatura na escola

Em sala de aula, o recurso a esse tipo de leitura pode ajudar na interpretação de texto, contando com um leque amplo de opções na hora de escolher uma obra para esmiuçar com os alunos.

Por conta da oferta ampla no mercado de HQs é possível investir em bibliotecas temáticas nas escolas para abarcar histórias destinadas a diversas faixas etárias e com temáticas que podem ir de meio ambiente até discussões políticas atuais. É preciso ressaltar, no entanto, que o uso desses textos deve vir acompanhado de uma abordagem contextualizada pelo professor na qual o aluno sinta-se instigado a também procurar outras narrativas literárias que enriqueçam seu intelecto.

Com uma aproximação didática ao universo dos livros deixa-se explícito o quanto a literatura na escola é uma parceira divertida na hora de aprender.

Alguns autores para se trabalhar na escola

O mercado brasileiro evoluiu consideravelmente desde a criação da “Turma da Mônica”, por Maurício de Sousa em 1959, e hoje possui editoras especializadas no gênero, fornecendo títulos diversos, inclusive com encartes para trabalhos de cunho didático-pedagógico.

Assim, nós sugerimos o trabalho com alguns autores que podem estimular os alunos pela leitura. Vale falar um pouco sobre aquele autor, sua história e como sua obra é importante no gênero. Confira:

Ziraldo

Escritor do famoso livro O Menino Maluquinho, Ziraldo é também um grande caturnista e um dono de um dos mais tradicionais trabalhos no gênero. No formato de quadrinhos, você pode encontrar muitos outros personagens e aventuras, como a Turma do Pererê, assim como histórias do menino mais famoso e maluquinho do Brasil.

Dessa maneira, a variedade de histórias e narrativas que o autor traz permite o trabalho com diferentes temas em sala de aula.

Maurício de Sousa

Criador de uma das mais consistentes e tradicionais histórias em quadrinhos do Brasil. Com a Turma da Mônica, inspirada na própria vivência do autor, Maurício de Sousa se consagrou no mercado nacional.

Trabalhar com tirinhas da Turma da Mônica já é um clássico nas aulas de Língua Portuguesa. Isso porque elas permitem não só o estudo da língua e ortografia, como trazem também outros elementos, como a reflexão, ironia e debates.

Laerte

Mais uma das mais famosas quadrinistas do país, Laerte produz há anos tirinhas e quadrinhos com muitos temas e reflexões para os principais jornais brasileiros. Para trabalhar com crianças e adolescentes, nós recomendamos sua obra Carol.

No livro, Laerte traz a história de uma menininha cheia de atitude, questionamentos e curiosidade, que coloca em cheque estereótipos e percepções sobre as relações sociais. Perfeito para muitos debates e rodas de conversa!

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