Letramento digital: saiba tudo sobre o conceito e como aplicá-lo

O letramento diz respeito ao exercício de ler e escrever. Assim, ser letrado significa responder às demandas sociais de leitura e de escrita. Atualmente, estas práticas envolvem também os ambientes digitais e já falamos em letramento digital.

A virada do século XXI apresentou novas ferramentas, como o computador e a internet. A tecnologia digital incentivou uma profunda reorganização cultural, novas percepções de mundo e de linguagem. Com isso, o nosso modo de interagir com tudo o que nos cerca se transformou. Por este motivo, letramento digital é um conceito que abarca as práticas de leitura e escrita em ambientes digitais.

Letramento digital: o que significa o conceito

Na internet, ler e produzir conteúdo, ou escrever, não são atividades independentes. Quantas vezes lemos um texto e deixamos, ao final de nossa leitura, um comentário sobre ele? Ou, ainda, quantas vezes você viu alguém compartilhar uma imagem, um meme ou uma matéria jornalística em alguma de suas redes sociais? No mundo contemporâneo, a comunicação, a troca, o diálogo - e até mesmo os afetos - passam também pelo ambiente virtual!

Portanto, letramento digital significa dominar as ferramentas necessárias e construir conhecimento em uma sociedade cujas práticas sociais de leitura e produção de texto envolvem as tecnologias digitais e as linguagens midiáticas a todo o tempo. Ler uma matéria, artigo ou post na internet significa também interpretar imagens, fotografias, vídeos ou até mesmo ler mais de um texto ao mesmo tempo!

As práticas curriculares da escola devem estimular em nossos alunos e alunas, desde cedo, o desenvolvimento das habilidades necessárias para o uso das tecnologias digitais, para que eles e elas utilizem as linguagens hipermidiáticas de modo responsável e crítico. Em resumo, esses conhecimentos e habilidades são o letramento digital.

Formação de professores para o letramento digital

No entanto, antes de garantir a formação dos nossos alunos, é essencial assegurar a nossa própria formação, enquanto leitores e educadores, nos espaços virtuais. Segundo a pesquisadora Maria Teresa Freitas, precisamos garantir que os professores se apropriem dos gêneros e linguagens digitais para integrá-los, de forma criativa e construtiva, no ambiente escolar.

O letramento digital deve ser pensado para além do uso instrumental. Dessa maneira, os educadores devem assegurar que as suas salas de aula sejam ambientes de construções e aprendizagens compartilhadas. Os alunos levam suas vivências nos ambientes digitais para a sala de aula, seja compartilhando uma música, vídeo, post do facebook ou matéria jornalística. Em seu texto "Letramento digital e formação de professores", Freitas conclui que:

“a possibilidade de pesquisar, ler e conhecer sobre os mais variados assuntos navegando na internet confere ao aluno um novo perfil de estudante, que exige também novo perfil de professor. Cabe ao professor estar atento a essa nova fonte de informações para transformá-las, junto com os alunos, em conhecimento. Essa é uma das características do letramento digital: associar informações, ter uma perspectiva crítica diante delas, transformando-as em conhecimento. O professor é parte inerente e necessária a todo esse processo, em seu lugar insubstituível de mediador e problematizador do conhecimento, um professor que também aprende com o aluno.” (FREITAS, 2010, p. 348)

BNCC e a aplicação do conceito

Portanto, independente de disciplina, é importante que educadores e educadoras se familiarizem com as tecnologias digitais da informação e comunicação, as TDICs, conforme cita a competência geral 5 da BNCC:

“Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.”

A gestão escolar também pode (e deve!) apoiar a formação continuada de seus professores e professoras, para que estes possam navegar com tranquilidade e sabedoria nos espaços virtuais, promovendo, desta forma, experiências de aprendizagem significativas para seus alunos. Uma boa prática para gestores é incentivar cursos, organizar palestras e debates sobre o tema dentro do cotidiano escolar, nas reuniões de planejamento, e mais!

Desafios do letramento digital

São muitos os desafios para o letramento digital de nossos estudantes. No cenário brasileiro, sem dúvida, o principal desafio é a falta de acesso. Segundo a Folha de São Paulo, no contexto da pandemia do coronavírus iniciada em 2020, cerca de 70 milhões de brasileiros têm acesso precário à internet ou não têm nenhum acesso.

No encontro virtual promovido pela Árvore, “A educação pública em tempos de pandemia: estratégias e desafios com plataformas digitais”, a educadora Jana Barros falou um pouco sobre este cenário, reforçando que os desafios de acesso à tecnologia não nasceram com a pandemia. O isolamento destes estudantes em relação às tecnologias digitais sempre existiu, os índices de reprovação e de evasão nos mostram isso a cada ano letivo.

Assim, a falta de acesso aos recursos tecnológicos é uma realidade da escola pública brasileira. O que nos resta, hoje, é aprender com o contexto que estamos vivendo. Por isso, políticas públicas voltadas para a inclusão digital se fazem mais do que urgentes, considerando que ter acesso à informação significa estar conectado.

Além deste enorme desafio, existe também um segundo para o letramento digital: a formação do senso crítico dos nossos alunos e alunas no ambiente digital. É importante que eles aprendam a se comunicar através das mais diversas plataformas e aplicativos, seja via mensagens, e-mails, redes sociais. Mas é ainda mais essencial que aprendam a avaliar a credibilidade das manchetes, informações, imagens, enfim todos os conteúdos que recebem todos os dias.

Fake news e os desafios atuais

Podemos citar como um dos maiores obstáculos para este desafio o fenômeno das fake news, que existe há muito tempo, mas que vem ganhando cada vez mais destaque nos últimos anos por conta da facilidade e da rapidez com as quais as notícias podem ser disseminadas. Hoje, com as redes sociais, qualquer pessoa pode produzir e disseminar conteúdo. Se, por um lado, isso torna a distribuição de informação mais democrática, por outro, faz com que informações falsas se espalhem mais rapidamente.

Um estudo de 2018, realizado por três pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), localizado nos Estados Unidos, descobriu que as fake news circulam muito mais rapidamente do que as notícias verdadeiras. Por exemplo, notícias falsas têm 70% mais chances de serem retuitadas do que histórias verdadeiras. Uma notícia verdadeira leva 6 vezes mais tempo do que uma falsa para atingir cerca de 1.500 pessoas.

Por este motivo, quando você, professor ou gestor, for desenvolver práticas pedagógicas de letramento digital, é fundamental ter como objetivo maior o uso consciente do espaço virtual. Devemos, acima de tudo, almejar a formação de jovens leitores que saibam discernir os espaços públicos dos privados, que sejam respeitosos e críticos enquanto produtores e consumidores de conteúdo no ambiente digital.

Para apoiá-lo neste processo tão fundamental, confira o nosso vídeo no Youtube O que é letramento digital?, com dicas de como aplicar o conceito na sua aula!

Esse conteúdo foi produzido por:

Time de especialistas pedagógicos da Árvore

e-book Ensino híbrido

E-book

Ensino híbrido

Aprenda novas habilidades para criação de aulas que realmente funcionam.

10.000+ people recommend using Client-first

Você pode gostar também

alunos usando tecnologia educacional
Educação

Como a tecnologia educacional pode ajudar na sala de aula?

Você sabe os benefícios que a tecnologia educacional pode trazer para sua escola? Neste post, te contamos como!

Continue lendo
educadores trabalhando interdisciplinaridade na escola
Educação

Aprenda a trabalhar interdisciplinaridade na escola em 4 passos

Quer saber como trabalhar a interdisciplinaridade na sua escola? Ensinamos neste post com quatro passos!

Continue lendo