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Poema nosso de cada dia…

Poema nosso de cada dia…

2017-03-21
Post modificado em:

Além de leitores compulsivos, nós, aqui da Árvore, também adoramos nos deleitar e nos demorar em palavras que escondem nas entrelinhas, inúmeros significados. Hoje, 21 de março, é comemorado o dia mundial da poesia. Não sei se você já parou para pensar, mas nós nos questionamos muito sobre esse ofício, e chegamos à conclusão de que ser poeta requer paciência e técnica, pois é preciso sintetizar o mundo em versos. A poesia pede calma. O leitor precisa estar aberto para muitas interpretações ou, até mesmo, nenhuma. Para celebrarmos esse ofício tão singular, resolvemos dividir nossos poemas favoritos. Se demore e boa leitura!E não esqueça de deixar seu comentário no blog e nos acompanhar nas redes sociais :)“O Navio Negreiro”, de Castro Alves - Escolha do GabrielVIExiste um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!...Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu nas vagas, Como um íris no pélago profundo! Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares!(Poema na íntegra disponível no livro “Navio Negreiro”, disponível no acervo da Árvore de Livros)“Amavisse”, de Hilda Hilst - Escolha do MatheusPorco-poeta que me sei, na cegueira, no charcoÀ espera da Tua Fome, permita-me a pergunta,Senhor de porcos e homens:Ouviste acaso, ou te foi familiarUm verbo que nos baixios daqui muito se ouveO verbo amar?Porque na cegueira, no charcoNa trama dos vocábulosNa decantada lâmina enterradaNa minha axila de pelos e de carneNa esteira de palha que me envolve a almaDo verbo apenas entrevi o contorno breve:É coisa de morrer e de matar, mas tem som de sorrisoSangra, estilhaça, devora, e por issoDe entender-lhe o cerne não me foi dada a hora.É verbo?Ou sobrenome de um Deus prenhe de humorNa péripla aventura da conquista?“Aninha e suas pedras”, de Cora Coralina - Escolha do LucasNão te deixes destruir…Ajuntando novas pedrase construindo novos poemas.Recria tua vida, sempre, sempre.Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.Faz de tua vida mesquinhaum poema.E viverás no coração dos jovense na memória das gerações que hão de vir.Esta fonte é para uso de todos os sedentos.Toma a tua parte.Vem a estas páginase não entraves seu usoaos que têm sede.“Poema Brasileiro” de Ferreira Gullar - Escolha do MárcioNo Piauí de cada 100 crianças que nascem78 morrem antes de completar 8 anos de idadeNo Piauíde cada 100 crianças que nascem78 morrem antes de completar 8 anos de idade No Piauíde cada 100 criançasque nascem78 morremantesde completar8 anos de idade antes de completar 8 anos de idadeantes de completar 8 anos de idadeantes de completar 8 anos de idadeantes de completar 8 anos de idade“É preciso não esquecer nada”, de Cecília Meireles - Escolha da NayhdÉ preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes nem a oração de cada instante.É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre.O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a idéia de recompensa e de glória.O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence.Poema sem título, de Ana Cristina César - Escolha da AnaEstou vivendo de hora em hora, com muito temor.Um dia me safarei - aos poucos me safarei, começarei um safari.1.8.83“Ali”, de Paulo Leminski - Escolha da Alicealisó ali se se aliceali se visse quanto alice viu e não disse se aliali se dissesse quanta palavra veio e não desce alibem ali dentro da alice só alice com alice ali se parece“Na hora de pôr a mesa”, de José Luís Peixoto - Escolha da Mariana hora de pôr a mesa, éramos cinco:o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. depois, a minha irmã mais velha casou-se. depois, a minha irmã mais nova casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está na casa dela, menos a minha irmã mais nova que está na casa dela, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva. cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho. mas irão estar sempre aqui. na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco. “Retrato do artista quando coisa” - Escolha da GiseleA maior riquezado homemé sua incompletude.Nesse pontosou abastado.Palavras que me aceitamcomo sou— eu não aceito.Não aguento ser apenasum sujeito que abreportas, que puxaválvulas, que olha orelógio, que compra pãoàs 6 da tarde, que vailá fora, que aponta lápis,que vê a uva etc. etc.Perdoai. Mas eupreciso ser Outros.Eu pensorenovar o homemusando borboletas.“Que eu me lembre”, de Clarice Lispector - Escolha da TayaneOlhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdoo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

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