Educação Integral e formação para vida: como colocar em prática

26 de maio de 2021
8 minutos

Você ainda desconhece os benefícios da educação integral? Apesar de constar nas diretrizes educacionais do país e estar alinhada às necessidades do século XXI, esta modalidade de ensino ainda é distante do cotidiano das escolas brasileiras. Confira mais neste post!

Sumário
  • Educação integral x Educação de tempo integral
  • O currículo na Educação Integral
  • Benefícios desta modalidade
  • Como aplicar na prática  
  • Educação Integral e o Novo Ensino Médio

Educação integral x educação de tempo integral

Você sabe a diferença entre educação integral e educação em tempo integral? O aumento do tempo do aluno na escola não é sinônimo de adesão ao modelo de educação integral, que tem um projeto curricular amplo permitindo aos estudantes o preparo para as múltiplas dimensões da vida contemporânea. Assim, o foco é o aluno e sua relação com a família e o entorno. Já o ensino em tempo integral é aquele em que os jovens permanecem na escola por mais de 7 horas diárias.

Para Fernanda Colmenero, mestra em Educação pela PUC-Rio e coordenadora de projetos sociais no CIEDS - Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável - a educação integral tem “um olhar constante e atento para o desenvolvimento de habilidades e competências para a vida nestas crianças. Para além de português e matemática, é fundamental permitir às crianças que experimentem  novos tempos e espaços de aprender”.

Educação Integral no Brasil

O projeto remete à proposta de Anísio Teixeira, ainda na década de 1950. Para o educador, a relação entre escola e comunidade é essencial para efetivação do processo educacional. Na década de 1980, Darcy Ribeiro retomou o projeto no Rio de Janeiro, com a criação dos Centros Integrados de Educação Pública - CIEPs. Nas duas experiências a escola deveria estar conectada ao contexto do aluno e às habilidades necessárias para realizar tarefas cotidianas.

A educação integral está presente na Base Nacional Comum Curricular - BNCC e no  Plano Nacional de Educação - PNE, que prevê que até 2024 mais da metade das escolas públicas brasileiras ofereçam tempo integral. Na prática, é uma meta da educação brasileira.

Leia mais: Avaliação escolar: como definir os melhores caminhos para o processo

O currículo na Educação Integral

O projeto tem o objetivo de garantir que o ensino inclua a formação ampla para vida. Logo, a questão principal é: como elaborar um currículo que compreenda as necessidades multidimensionais da formação? O Centro de Referência da Educação Integral entende que as bases da modalidade são: equidade, inclusão, sustentabilidade e contemporaneidade.

Por isso, o currículo deve compreender o aluno como sujeito histórico e complexo. Uma proposta curricular pautada neste tipo de educação deve ofertar a interdisciplinaridade, fazer sentido para o aluno e seu território, partir de práticas de experimentação, promover um ambiente democrático,  estimular a proatividade e ser adaptável às necessidades de cada um.

Benefícios desta modalidade

A modalidade é comprometida com a contemporaneidade e com a formação humana em todas as suas faces. Para Paulo Freire é necessário a garantia da centralidade do indivíduo no processo educacional, o aluno não pode ser objeto, ele deve ser o sujeito da própria educação.

A promoção de uma escola mais inclusiva na qual os alunos se vêem como partes fundamentais do ambiente escolar é central na proposta. Ao garantir significado para vida, há o comprometimento com a formação de indivíduos autônomos, com maior repertório cultural, aptos a lidar com as diferenças e conectados às demandas atuais da sociedade.

Como aplicar na prática  

A adoção nas escolas pressupõe uma mudança na cultura escolar que envolva o currículo, as formas de avaliação e a gestão da escola. Portanto, é importante que a gestão seja participativa e que a avaliação seja simplificada, permitindo a autoavaliação e ocorrendo de forma transparente.

Outro ponto central é a relação entre escola e território. A comunidade escolar não se forma somente por agentes internos. Por isso, a escola não pode ser uma ilha, ela deve estar aberta à comunidade e a possibilidade de engajamento estudantil, proporcionando a formação cidadã voltada para transformação social.

Dica: Incentive a participação democrática estimulando a criação de grêmios estudantis, centros acadêmicos e clubes temáticos.

Educação Integral, BNCC e o Novo Ensino Médio

A BNCC e o Novo Ensino Médio estão comprometidos com a oferta de um ensino integral focado no desenvolvimento de habilidades e competências que sejam úteis para a formação humana por completo. O Ensino Médio brasileiro ainda tem como desafio o combate à evasão escolar. O Novo Ensino Médio apresenta o aumento da carga horária total cursada, com oferta de novas disciplinas e itinerários formativos, construção de um currículo individualizado e desenvolvimento de Projetos de Vida.

Neste sentido, a modalidade é vista como solução para garantia de um processo de ensino e aprendizagem que prepare para a vida, para o trabalho e combata a evasão escolar.

Agora você já conhece um pouco mais sobre a educação integral, sua história e seus benefícios para o cotidiano escolar. Por ser uma meta da educação brasileira, a modalidade deve estar no horizonte das escolas do país. Para isso, não esqueça da importância de criar um ambiente conectado à realidade, aberto ao diálogo e democrático.

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