A rotina da escola com o Novo Ensino Médio: o que muda e o que permanece

O novo ensino médio traz uma série de inovações como flexibilização curricular, foco no desenvolvimento de competências e habilidades de área e o protagonismo do estudante que irão mudar a rotina da escola a partir da sua implementação.

Vamos refletir um pouco sobre estas inovações e como sua escola poderá fazer frente a elas.

Sumário

- Flexibilização curricular e os espaços de aprendizagem

- Atuação docente integrada

- Avaliação de competências e habilidades

- Práticas pedagógicas inovadoras

- Material didático modular

- Conclusão


Atualmente o ensino médio no Brasil possui um currículo padrão onde todos os alunos estudam as mesmas disciplinas, não importando a trajetória que irá seguir ao seu final. Isto gera um currículo fragmentado e superficial que resulta em desmotivação do estudante e pouca conexão com seu projeto de vida.

Entretanto, esta estrutura curricular facilita a rotina escolar, pois simplifica a organização da escola em relação aos espaços de aprendizagem, enturmação e atuação docente. Para permitir um maior protagonismo do estudante, o novo ensino médio propõe uma série de inovações que irão alterar significativamente a rotina dos estudantes e professores do ensino médio na escola.

Flexibilização curricular e os espaços de aprendizagem

Os novos currículos flexíveis orientados pelas escolhas do estudante do novo ensino médio são um desafio para a organização e para a sustentabilidade da escola. Um desenho curricular frágil pode levar a escola a oferecer ou poucas alternativas de escolha para o estudante ou a oferta de um número elevado de itinerários formativos que pode resultar em uma fragmentação do número de alunos por turma e gerar um desequilíbrio nas contas da escola. Assim sendo, é importante que a escola atente para os espaços de aprendizagem diferenciados propostos pelas normas do novo ensino médio, o que envolve as possibilidades de oferta de componentes curriculares em parceria com outras instituições ou de módulos por meio do EaD.

Estas possibilidades implicam em mudança da relação do estudante com a escola, uma vez que pode ser permitida a realização de atividades em ambientes diferentes da sala de aula na unidade escolar. Para tanto, a escola deverá observar aspectos como horário de oferta das disciplinas além da disponibilidade de alimentação e transporte para a realização de atividades pelo estudante em organizações parceiras.

Em relação às atividades em EaD, cabe registrar que as mesmas podem ser admitidas no currículo até um limite de 20% da carga horária total (até 30% para cursos noturnos) sendo que a escola deve garantir plataformas digitais adequadas e a coordenação/acompanhamento destas atividades por um professor na unidade escolar.

Além disso, a flexibilização curricular exige formas diferenciadas de enturmação dos estudantes, sendo recomendável que nos componentes curriculares da formação geral básica (BNCC) os estudantes sejam enturmados por ano/série e na parte dos itinerários possam ser criadas turmas multisseriadas. Isto demandará ajustes no sistema de registro acadêmico das escolas, bem como na organização dos horários para permitir a criação destas turmas.

Para permitir uma maior flexibilidade de escolhas, pode ser interessante organizar a oferta de módulos nos itinerários formativos com matrículas semestrais, viabilizando assim eventuais mudanças de percurso formativo pelo estudante e até uma composição mais variada de itinerários formativos.

Atuação docente integrada

A atuação docente também deverá passar por diversas adaptações. O novo currículo e a BNCC preconizam substituir a aprendizagem com foco em conteúdos para uma aprendizagem com foco em competências e habilidades, além de uma organização curricular por áreas do conhecimento. Para tanto, os docentes de cada componente curricular de uma área deverão realizar um planejamento conjunto permanente.

Avaliação de competências e habilidades

Os professores também deverão desenvolver novas formas de avaliação da aprendizagem. A finalidade da avaliação deixa de ser centrada na verificação da apreensão de conteúdos e passa para o exame da aprendizagem do estudante ao longo das atividades realizadas em sala de aula bem como na avaliação das habilidades e competências adquiridas pelo estudante ao final de todo o processo educacional. Ainda, considerando a organização por áreas de conhecimento, é importante que os professores de diferentes componentes curriculares dialoguem para que a avaliação do estudante possa superar o mero desempenho disciplinar.

Cabe registrar também que, considerando que a trajetória do estudante nos itinerários se dá por escolhas, a escola deverá analisar diferentes critérios para a promoção do estudante na parte da formação geral básica e na parte dos itinerários. Nesta última parte, uma estrutura por créditos ao invés de uma estrutura seriada faz mais sentido na hora de computar a carga horária do estudante, uma vez que permite diversas trajetórias diferentes para o estudante.

Leia também: Como o novo Ensino Médio afeta o Ensino Fundamental?

Práticas pedagógicas inovadoras

Há que se considerar que o foco em solução de problemas decorrente do desenvolvimento de competências remete ao uso por parte dos professores de práticas pedagógicas inovadoras, entre elas as metodologias ativas, trabalho por projetos e a aprendizagem baseada em problemas. Essas possibilidades se tornam ferramentas indicadas para a organização das atividades dos estudantes.

Material didático modular

Ao mesmo tempo, a escolha dos materiais didáticos deve refletir a flexibilidade curricular do novo ensino médio. Desta forma, materiais modulares permitem ao estudante ter à disposição livros didáticos e materiais de apoio digitais de acordo com suas escolhas curriculares. Cabe lembrar que o novo ensino médio exige foco no desenvolvimento de competências de leitura, interpretação e redação de textos de diversos níveis de complexidade o que pode ser fortemente desenvolvido por meio da disponibilização pela Árvore de diferentes soluções para o desenvolvimento destas competências.

Conclusão

O novo ensino médio traz inúmeros desafios para a organização escolar e sua implementação levará a uma mudança significativa da rotina da escola. No entanto, estes desafios podem se transformar em uma grande oportunidade para a escola oferecer uma formação mais sintonizada com o projeto de vida do estudante e com as demandas da sociedade do século XXI.

Professor do MBA em Liderança e Gestão Pública do CLP (2019), Eduardo Deschamps já foi Secretário de Estado da Educação de Santa Catarina (2012-2018) e presiden

Esse conteúdo foi escrito por Eduardo Deschamps

Eduardo Deschamps

Professor do MBA em Liderança e Gestão Pública do CLP (2019), Eduardo Deschamps já foi Secretário de Estado da Educação de Santa Catarina (2012-2018) e presiden

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